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Estenose aórtica: quando o cansaço não é só a idade

A caminhada que antes era fácil passa a exigir pausas. A escada do prédio parece mais longa. Um cansaço novo aparece no fim da tarde. Na maior parte das vezes, tudo isso é atribuído à idade. Em algumas pessoas, porém, a causa está em uma válvula do coração que deixou de abrir como deveria.

A doença

O que é a estenose aórtica

A válvula aórtica fica na saída do coração. A cada batimento, ela se abre para o sangue seguir para o corpo e se fecha para que ele não retorne.

Com os anos, essa válvula pode acumular cálcio, endurecer e abrir cada vez menos. Esse estreitamento é a estenose aórtica. O coração passa a fazer mais força para empurrar o sangue por uma abertura menor, e o músculo cardíaco se adapta até o limite.

É a doença valvar mais frequente em idosos nos países ocidentais. Estima-se que a forma grave atinja cerca de 3 em cada 100 pessoas acima dos 75 anos.

Sintomas

Por que os sintomas passam despercebidos

A estenose avança devagar, ao longo de anos. O corpo se ajusta: a pessoa reduz o ritmo, evita subidas, deixa de fazer certas atividades, muitas vezes sem perceber. Quando os sintomas ficam evidentes, a doença costuma já estar em fase avançada.

Os sinais mais comuns são:

  • Falta de ar ao esforço, que aparece com atividades antes toleradas.
  • Cansaço desproporcional ao que foi feito.
  • Dor ou aperto no peito ao caminhar ou subir escadas.
  • Tontura ou desmaio, principalmente durante ou logo após o esforço.
  • Redução espontânea das atividades, um sinal discreto e frequentemente ignorado.

Diagnóstico

Como é feito o diagnóstico

O primeiro indício costuma ser um sopro cardíaco percebido na ausculta. O diagnóstico é confirmado pelo ecocardiograma, que mede quanto a válvula se abre e qual a pressão que o coração precisa gerar.

Em casos selecionados, outros exames completam a avaliação: a tomografia, que quantifica o cálcio e mede as estruturas para o planejamento do tratamento, e o cateterismo, que avalia as artérias coronárias.

O momento certo

Por que o momento do tratamento importa

Enquanto não há sintomas, muitos pacientes são apenas acompanhados, com consultas e ecocardiogramas periódicos. Quando os sintomas surgem na estenose grave, o cenário muda: sem a troca da válvula, o risco de complicações e de morte aumenta de forma importante nos anos seguintes.

Não existe remédio capaz de reabrir a válvula. O tratamento definitivo é a sua substituição.

Tratamento

As opções de tratamento

Há dois caminhos principais:

  • Cirurgia de troca valvar, com abertura do tórax e circulação extracorpórea.
  • TAVI (implante transcateter de válvula aórtica), em que a nova válvula é levada até o coração por um cateter, geralmente pela artéria da virilha, sem abrir o tórax.

A escolha considera idade, anatomia, outras doenças e a preferência do paciente. As diretrizes europeias de 2025 passaram a recomendar o TAVI como primeira opção para a maioria dos pacientes a partir dos 70 anos com anatomia adequada. Em pacientes mais jovens ou com situações específicas, a cirurgia pode ser a melhor escolha. A decisão é individual e, nos casos complexos, discutida em Heart Team.

Quando procurar

Quando procurar avaliação

  • Sopro cardíaco já identificado, sem acompanhamento recente.
  • Diagnóstico de estenose aórtica moderada ou grave.
  • Falta de ar, dor no peito ou tontura ao esforço sem explicação.
  • Indicação de cirurgia com dúvida sobre alternativas.

Conclusão

Em resumo

Nem todo cansaço é da idade. Quando há sopro ou sintomas ao esforço, um ecocardiograma responde a pergunta com segurança. Detalhes sobre o procedimento estão na página TAVI.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Dr. Guilherme Bratz — CRM-RS 41657 | RQE 44782.

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