Para quem tem fibrilação atrial, o anticoagulante é uma das medicações mais importantes: ele reduz de forma expressiva o risco de AVC. Mas existe um grupo de pacientes para quem esse remédio se torna um problema, por sangramentos repetidos, quedas frequentes ou outras condições. Para eles, há uma alternativa.
A doença
Fibrilação atrial e AVC
Na fibrilação atrial, os átrios deixam de contrair de forma organizada. O sangue fica mais parado e pode formar coágulos. Se um coágulo se desprende e chega ao cérebro, causa um AVC.
A fibrilação atrial aumenta em cerca de cinco vezes o risco de AVC, e esses AVCs tendem a ser mais graves. Por isso, a maioria dos pacientes precisa de anticoagulação contínua.
O dilema
Quando o anticoagulante vira um problema
O anticoagulante protege contra o coágulo, mas aumenta o risco de sangramento. Na maioria das pessoas, o benefício supera com folga esse risco. Em algumas situações, o equilíbrio muda:
- Sangramento gastrointestinal ou urinário recorrente.
- Sangramento cerebral prévio.
- Quedas frequentes, sobretudo em idosos.
- Doenças que alteram a coagulação ou dificultam o uso contínuo do remédio.
Nesses casos, suspender o anticoagulante por conta própria é perigoso. A decisão precisa ser tomada com o médico, avaliando as alternativas.
Anatomia
O apêndice atrial esquerdo
O apêndice atrial esquerdo é uma pequena bolsa ligada ao átrio esquerdo. Na fibrilação atrial não associada a doença valvar, a grande maioria dos coágulos se forma ali.
A oclusão do apêndice atrial esquerdo fecha essa bolsa por dentro, com um dispositivo implantado por cateter pela veia da virilha. Com o tempo, o dispositivo é recoberto por tecido do próprio coração.
O procedimento
Como funciona na prática
- O procedimento é guiado por ecocardiograma e raio-X, sem cortes no tórax.
- A internação costuma ser curta.
- Nas semanas seguintes, o paciente usa uma medicação antitrombótica temporária, definida caso a caso.
- Exames de imagem de controle confirmam o fechamento. Depois disso, a maioria dos pacientes pode deixar de usar o anticoagulante.
Evidência
O que dizem os estudos
Estudos como PROTECT AF e PREVAIL mostraram que a oclusão do apêndice oferece proteção contra AVC comparável à da varfarina a longo prazo, com menos sangramentos graves ao longo do tempo. O PRAGUE-17 comparou o procedimento aos anticoagulantes mais modernos em pacientes de alto risco, com resultados semelhantes.
O anticoagulante segue sendo a primeira escolha para a maioria dos pacientes. O procedimento é indicado para quem não pode mantê-lo com segurança.
Quando procurar
Quando procurar avaliação
- Fibrilação atrial com sangramento durante o uso de anticoagulante.
- Orientação médica para suspender o anticoagulante.
- Quedas frequentes ou outras condições que tornam o uso contínuo arriscado.
Conclusão
Em resumo
Quando o remédio que protege passa a trazer risco, a pergunta não é se é possível parar, e sim como proteger o cérebro de outra forma. Mais informações na página Oclusão do Apêndice Atrial Esquerdo.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Dr. Guilherme Bratz — CRM-RS 41657 | RQE 44782.
