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Insuficiência mitral: quando a cirurgia é arriscada demais

"O risco da cirurgia é alto." Para muitos pacientes com insuficiência mitral, e para suas famílias, essa frase soa como o fim das opções. Nos últimos quinze anos, isso mudou. Hoje existe um tratamento por cateter que corrige o vazamento da válvula sem abrir o tórax, indicado para pacientes selecionados.

A doença

O que é a insuficiência mitral

A válvula mitral separa o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo. Quando ela não fecha bem, parte do sangue volta a cada batimento. Esse refluxo é a insuficiência mitral.

Com o tempo, o coração dilata, a pressão no pulmão aumenta e surgem falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e arritmias, como a fibrilação atrial.

Causas

Dois tipos, dois raciocínios

Entender a causa é o primeiro passo, porque ela muda o tratamento.

  • Insuficiência mitral primária (degenerativa): o problema está na própria válvula, como folhetos frouxos ou cordas rompidas. A cirurgia de reparo é o tratamento de referência para quem tem risco cirúrgico aceitável.
  • Insuficiência mitral secundária (funcional): a válvula é normal, mas o ventrículo dilatado, geralmente por insuficiência cardíaca, afasta os folhetos. Aqui, o tratamento começa pelos remédios da insuficiência cardíaca, otimizados.

O procedimento

O que é o TEER

TEER é a sigla em inglês para reparo transcateter borda a borda. Um dispositivo em forma de clipe, como o MitraClip ou o Pascal, é levado até o coração por uma veia da virilha. Guiado por ecocardiograma transesofágico, ele aproxima os dois folhetos da válvula no ponto do vazamento, reduzindo o refluxo.

O procedimento é feito sob anestesia geral, sem cortes no tórax. A maioria dos pacientes deixa o hospital em poucos dias.

Evidência

O que dizem os estudos

  • Na insuficiência mitral secundária, o estudo COAPT mostrou que, em pacientes selecionados com insuficiência cardíaca já em tratamento otimizado, o TEER reduziu internações e mortalidade em comparação com remédios apenas. Estudos posteriores reforçaram que a seleção do paciente é determinante.
  • Na insuficiência mitral primária, o TEER é uma alternativa para pacientes com risco cirúrgico elevado e anatomia favorável.

Seleção de pacientes

Quem pode ser candidato

A indicação depende de uma avaliação detalhada, que inclui ecocardiograma transesofágico e, nos casos complexos, discussão em Heart Team. Em geral, são avaliados:

  • Pacientes com insuficiência mitral importante e sintomas.
  • Idade avançada, cirurgias cardíacas prévias ou outras doenças que elevam o risco cirúrgico.
  • Insuficiência cardíaca que segue com sintomas apesar do tratamento otimizado.
  • Anatomia da válvula adequada ao clipe.

Quando procurar

Quando procurar avaliação

  • Diagnóstico de insuficiência mitral moderada a importante.
  • Cirurgia contraindicada ou considerada de risco elevado.
  • Internações repetidas por insuficiência cardíaca.

Conclusão

Em resumo

"Risco alto para cirurgia" não significa ausência de tratamento. Significa que outras opções precisam ser avaliadas com cuidado. Mais detalhes na página TEER — MitraClip e Pascal.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Dr. Guilherme Bratz — CRM-RS 41657 | RQE 44782.

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